portada |
espectáculos |
cursos |
publicaciones |
convocatorias |
directorio |
contacto
Noticias

La escena iberoamericana

Brasil. Mostra reúne filmes realizados a partir de peças e processos cênicos

É frequente a dificuldade do pesquisador diante da tarefa de reconstituir a história do teatro brasileiro, dada a inexistência ou a precariedade de registros. Buscando contornar esta situação, várias companhias começaram a filmar seus espetáculos. Diretores como Evaldo Mocarzel estão se dedicando, no momento, à realização de filmes sobre montagens e processos de trabalho de grupos como o Teatro da Vertigem, Os Satyros, Os Fofos Encenam e o Grupo XIX. Outra iniciativa importante é a de Julio Calasso, que decidiu não só reunir registros recentes como garimpar os referentes a décadas anteriores na mostra Cine Teatro Brasil – O teatro na tela de cinema, que, depois de passar por São Paulo, chega, segunda-feira, à Sala Funarte Sidney Miller, onde os filmes serão exibidos até a próxima sexta-feira.

Julio Calasso passou a acompanhar ensaios teatrais quando veio para o Rio de Janeiro, em 1998, e retomou contato com atores como Antonio Pedro e Ricardo Petraglia, que mantiveram, de 1992 a 1997, o Tuerj (Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Juntos deram partida para o Cete (Centro Experimental Teatro Escola) e levantaram espetáculos como O incrível encontro, realizado com jovens de periferia e centrado nos 500 anos de história do Brasil, Electra na Mangueira e Electra no Municipal. O vídeo de O incrível encontro, inclusive, integra a programação da mostra, que conta também com filmes sobre diretores emblemáticos como Antunes Filho, Flavio Rangel e Amir Haddad, sobre encenações de Victor García realizadas no Brasil – O balcão, de Jean Genet, e Cemitério de automóveis, de Fernando Arrabal. A seleção também inclui contribuições do Teatro do Oprimido de Augusto Boal e registros de montagens recentes, como Hamlet, na versão de Aderbal Freire-Filho, e Inveja dos anjos, a cargo da Cia. Armazém, de Paulo de Moraes.

Um dos nortes dessa edição foi a homenagem a Ruth Escobar, produtora dos espetáculos de García.

– Ela convidou diretores como Andrea Tonacci e José Agripino de Paula para fazerem filmes sobre as montagens que produziu. Agripino tem um trabalho inacabado em cima de O balcão. Vou exibi-lo juntamente à primeira parte de Transgressões do espaço cênico, sobre as mudanças espaciais provocadas por O balcão e Cemitério de automóveis – adianta Calasso, sobre o filme de Amilcar Claro. – Agripino reuniu imagens extraordinárias sobre O balcão, mas sem contextualizá-las. Amilcar fez esse trabalho.

Além de Transgressões..., Amilcar Claro marca presença com outros filmes na mostra: Agitação na Praça Roosevelt, que, escolhido para a abertura, mostra a revitalização da praça do centro de São Paulo a partir da chegada de grupos como Os Satyros e Parlapatões; e O teatro de Antunes Filho: a poética do mal, este último decorrente de um projeto de Sebastião Milaré, autor do livro Antunes Filho e a dimensão utópica.

– Desde a criação de Macunaíma e a fundação do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), Antunes lançou-se à aventura de revelar no palco o homem brasileiro – destaca Milaré. – Com Nelson Rodrigues – O eterno retorno vasculhou o inconsciente coletivo urbano; com a primeira tentativa de montagem de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, e a grande pesquisa dos sertões de Minas Gerais descritos por Guimarães Rosa, que resultou na criação cênica de A hora e vez de Augusto Matraga, invadiu o universo mítico e místico do sertanejo. Mesmo ao encenar obras clássicas, como Shakespeare, tragédias gregas, ou Gilgamesh, ele busca desvendar a alma do homem dentro do seu contexto cultural, tendo sempre por modelo a experiência brasileira

Antunes Filho despontou no teatro brasileiro a partir do contato com os diretores estrangeiros – em especial, com Adolfo Celi – que chegaram ao Brasil e foram, em sua maioria, trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Flávio Rangel, diretor retratado por Paola Prestes no documentário O teatro na palma da mão, também começou a dar seus primeiros passos no TBC, ainda na década de 50. Exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e viabilizado graças a pequenas verbas da Secretaria Estadual de Cultura e da TV Cultura, o filme surgiu a partir de conversas entre a cineasta e a atriz Ariclê Perez, viúva de Rangel.

– Eu era amiga de Ariclê e ela falava muito no Flávio Rangel. Não o conheci pessoalmente, mas me apaixonei por sua figura durante o processo. Quando fui entrevistar as pessoas, a impressão era de que ele estava vivo ou havia morrido há uma semana. Ele resolveu todas as brigas em vida – sublinha Paola Prestes, que assistiu a diversas montagens de Rangel, como Cyrano de Bergerac, Piaf, Amadeus e Negócios de estado.

A diretora considera reducionista a visão corrente de Flávio Rangel como encenador de grandes espetáculos.

– Havia um padrão de qualidade nos trabalhos dele, que, na época, se poderia chamar de internacional. À margem da vida foi a prova de que ele não se limitava a fazer montagens de grande porte – ressalta Paola, referindo-se à elogiadíssima versão de Rangel para a peça de Tennessee Williams, com Beatriz Segall, Edwin Luisi e Ariclê Perez. – Além disso, investia em mudanças nos textos, de modo a valorizá-los. Arthur Miller concordou com as alterações que ele fez em Depois da queda.

Para a próxima edição da Mostra Cine Teatro Brasil, Julio Calasso planeja exibir uma versão de Alberto Cavalcanti para O sr. Puntila e seu criado Matti, de Bertolt Brecht, e um documentário de Geraldo Sarno a partir de um auto do Padre José de Anchieta. A ligação de Calasso com o teatro é antiga.

– A primeira vez que entrei num teatro foi para ver Os pequenos burgueses, em 1963. Estava com 22 anos. Em 1964, o Teatro Oficina foi fechado e reabriu meses depois com um curso do Eugenio Kusnet, do qual eu participei. Fui para o Teatro de Arena, onde aprendi dramaturgia com Chico de Assis. Conheci Plínio Marcos e fiz Reportagem em tempo mau, primeira peça dele montada em São Paulo. Durou um dia porque o exército fechou o Arena. Para encenarmos Dois perdidos numa noite suja, sequestramos duas camas e um criado mudo da TV Tupi para servirem de cenário – rememora Julio Calasso, que está há um bom tempo envolvido com a feitura de um documentário sobre Plínio e trabalhou como diretor de produção de Prata palomares (1971), de André Faria, experiência cinematográfica do Teatro Oficina, e de Rito do amor selvagem, primeiro espetáculo de José Agripino de Paula.

• Daniel Schenker | Jornal do Brasil | 2010-01-31


 | 

Suscripción a noticias por email

Nombre  
Email  
Ciudad  
País  
   

Publicidad
aycoteatro.com.ar


Archivo de noticias

Ver noticias del 02 de 2012 (23)

Ver noticias del 01 de 2012 (70)

Ver noticias del 12 de 2011 (81)

Ver noticias del 11 de 2011 (107)

Ver noticias del 10 de 2011 (140)

Ver noticias del 09 de 2011 (102)

Ver noticias del 08 de 2011 (134)

Ver noticias del 07 de 2011 (125)

Ver noticias del 06 de 2011 (137)

Ver noticias del 05 de 2011 (159)

Ver noticias del 04 de 2011 (222)

Ver noticias del 03 de 2011 (179)

Ver noticias del 02 de 2011 (121)

Ver noticias del 01 de 2011 (64)

Ver noticias del 12 de 2010 (124)

Ver noticias del 11 de 2010 (162)

Ver noticias del 10 de 2010 (167)

Ver noticias del 09 de 2010 (206)

Ver noticias del 08 de 2010 (174)

Ver noticias del 07 de 2010 (218)

Ver noticias del 06 de 2010 (207)

Ver noticias del 05 de 2010 (215)

Ver noticias del 04 de 2010 (243)

Ver noticias del 03 de 2010 (233)

Ver noticias del 02 de 2010 (196)

Ver noticias del 01 de 2010 (231)

Ver noticias del 12 de 2009 (87)

Ver noticias del 11 de 2009 (215)

Ver noticias del 10 de 2009 (162)

Ver noticias del 09 de 2009 (143)

Ver noticias del 08 de 2009 (96)

Ver noticias del 07 de 2009 (62)

Ver noticias del 06 de 2009 (51)

Ver noticias del 05 de 2009 (7)

Ver noticias del 04 de 2009 (23)

Ver noticias del 03 de 2009 (20)

Ver noticias del 02 de 2009 (32)

Ver noticias del 01 de 2009 (28)

Ver noticias del 12 de 2008 (7)

Ver noticias del 11 de 2008 (26)

Ver noticias del 10 de 2008 (40)

Ver noticias del 09 de 2008 (31)

Ver noticias del 08 de 2008 (42)

Ver noticias del 07 de 2008 (28)

Ver noticias del 06 de 2008 (26)

Ver noticias del 05 de 2008 (51)

Ver noticias del 04 de 2008 (32)

Ver noticias del 03 de 2008 (27)

Ver noticias del 02 de 2008 (31)

Ver noticias del 01 de 2008 (55)

Ver noticias del 12 de 2007 (9)

Ver noticias del 11 de 2007 (37)

Ver noticias del 10 de 2007 (33)

Ver noticias del 09 de 2007 (19)

Ver noticias del 08 de 2007 (24)

Ver noticias del 07 de 2007 (46)

Ver noticias del 06 de 2007 (30)

Ver noticias del 05 de 2007 (39)

Ver noticias del 04 de 2007 (30)

Moreno 431, (1091) Buenos Aires. Argentina (mapa). Teléfono: (5411) 4342-1026. Skype: celcit-argentina
Director: Carlos Ianni. Equipo de gestión: Teresita Galimany, Juan Lepore, Claudia Quiroga.
Técnica: Fernando Díaz. Secretaría: Andrea Albano, María Svartzman
E-mail: correo@celcit.org.ar. Diseño web y web hosting: Moebius Digital
Las actividades del CELCIT han sido declaradas de Interés Cultural
por la Secretaría de Cultura de la Nación y la Legislatura de la Ciudad de Buenos Aires