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La escena iberoamericana

Brasil. Espetáculo da atriz e diretora Liliana Rosa é dedicado a bebês, no Rio

O teatro para bebês vem sendo desenvolvido há alguns anos na Europa. Tendo como um de seus mais importantes realizadores na Espanha o grupo La Casa Incierta e outras importantes companhias na Alemanha, Itália, Portugal e França. Os espetáculos abordam temáticas variadas, não necessariamente de forma educativa ou didática, mas tendo como princípio básico a exploração dos cinco sentidos, respeitando também o princípio de que o teatro para as crianças (neste caso, para os bebês) não deve ser melhor ou pior do que o feito para adultos, apenas diferente. A criança tem todos os seus canais abertos para receber estímulos de formas variadas. No teatro para a primeira infância os campos da visão e da audição são dois dos sentidos que mais devem ser desenvolvidos, ficando claro que isto não constitui uma regra a ser seguida, ou que é sugerida como uma receita infalível de bolo.

O imagético é um dos principais meios de comunicação com este delicado público em formação. Desta maneira, o teatro para bebês tem buscado apresentar elementos como imagens geométricas, movimentos corporais, variada gama de cores, e objetos de diferentes tamanhos e dimensões (2D, 3D). O campo da audição também é um dos pontos mais importantes do teatro para a infância, colaborando para um crescimento significativo da lógica e da sensibilidade ao belo e ao sublime.

O cirquinho de Luísa é um dos primeiros espetáculos de teatro para bebês apresentado na cena carioca. Desenvolvido pelos atores e diretores Liliana Rosa e André D'Lucca, tem como objetivo principal ser um projeto de aprendizagem e partilha entre pais e bebês um meio de introdução da criança no mundo da arte. O tema abordado na peça é o nascimento e ciclo da vida, ativando a memória embrionária e indo de encontro à primeira infância até as nossas raízes e origens, explicando as etapas da vida por associações, analogias e estimulação dos sentidos. Para os pequenos é uma porta aberta para que eles comecem a descobrir novas linguagens. O nome do espetáculo, uma homenagem ao nascimento de Luísa, filha da atriz Liliana Rosa, revela para o público o que foi essencial no desenvolvimento da pesquisa para construção da peça. Após o nascimento dela, foi desenvolvido um laboratório de análise das suas reações a determinados estímulos visuais, sonoros e táteis. Luísa acompanhou todo o desenrolar dos ensaios e da montagem, foi quase como uma consultora artística. Além disso, todo o enredo da peça foi inspirado no seu crescimento.

A cenografia da peça é bastante colorida. Um circo com uma pequena lona feita de tiras de tecidos azuis, vermelhos e amarelos, e um pequeno picadeiro onde os pais e as crianças são convidados a sentarem juntos para que possa haver uma inteiração verdadeira entre a atriz e o público. Valendo-se de brinquedos montáveis e desmontáveis, a atriz Liliana Rosa apresenta para as crianças de onde elas vêm. Todo o trabalho é bastante lúdico, formativo e informativo. A direção musical também é adequada, apresentando sons incidentais de crianças rindo. A ampliação deste efeito possibilita uma ambientação agradável e ajuda a acalmar os ânimos dos miudinhos. Liliana Rosa conduz o espetáculo com bastante propriedade, mostrando-se familiarizada com o universo materno, e com a linguagem apropriada para alcançar a atenção de crianças tão pequeninas. Liliana fala baixo, de forma pausada, articulando bem as palavras. Apresenta às crianças o dia, a noite e os animais, e usa o tato para aguçar a criatividade. Água, bolinhas de sabão e pequenos brinquedos servem de modelo.

Importante ressaltar que no caso da linha de atuação adotada pela direção, que busca ensinar e apresentar as novidades para as crianças, é preciso tomar cuidado com as associações. No início da peça, a atriz apresenta um sapatinho vermelho como sendo a Luísa e ao final apresenta um cachorrinho, que depois ela veste com o sapatinho vermelho (símbolo da Luísa). Isso confunde algumas crianças que associam o cachorro à própria personagem. Ou seja, é preciso que nada passe despercebido na transmissão das idéias para este público em constante formação.

• Ricardo Schöpke | Jornal do Brasil | 2010-03-27


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