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La escena iberoamericana

Portugal. Morreu o homem que iluminava os palcos portugueses

Orlando Worm era um desenhador de luz.
O desenhador de luz Orlando Worm, que trabalhou os principais espaços das artes de palco portuguesas e fundou com Graça Barroso e Vasco Wellenkamp a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, morreu quarta-feira à noite, aos 71 anos. "Era um homem que iluminava e era uma pessoa iluminada", disse ontem ao PÚBLICO Wellenkamp, recordando um "grande, grande amigo".
Worm morreu no Hospital de S. Francisco Xavier, em Lisboa, de doença prolongada. O corpo sai hoje da Capela de S. Miguel, em Sintra, às 10h30, para o cemitério de Colares.

Orlando Worm teve uma carreira de mais de cinco décadas em que iluminou teatro, bailado, ópera, jardins, concertos, recitais e exposições. "Em televisão faz-se grandes planos [dos actores] e o público vê o que o realizador quer mostrar. No teatro isso não é possível [...]. Mas podemos [com as luzes] separar os actores uns dos outros, podemos chamar a atenção do público para o actor que quisermos", resumia numa entrevista ao PÚBLICO em 2006, quando recebeu o prémio Luzboa-Shréder.

Mas quem com ele trabalhou recorda-o como muito mais do que um desenhador de luz. "Era um mestre", continua Wellenkamp, "um homem de grande humanismo, que ensinou gerações" de técnicos e desenhadores de luz. Para ele não parecia haver problemas insolúveis. "Com uma linha, um fósforo, um parafuso, resolvia tudo." Como naquela vez em que os panos laterais do palco, brancos, pareciam irremediavelmente amachucados, e Worm disse ao amigo que não se preocupasse. Quando Wellenkamp voltou, com o espectáculo a começar, os panos "estavam esticados, impecáveis". Worm tinha comprado milhares de molas de roupa e fizera desaparecer o problema.

Ricardo Pais conheceu-o em 1975, quando encenou As Cuecas, de Carl Sternheim, no Instituto Alemão. "Foi o primeiro espectáculo em que ele apareceu como desenhador de luz" (até aí, o desenho de luz não era considerado autonomamente), conta ao PÚBLICO. "Era um mestre incontestado", reforça Pais, mas também "um companheiro de estrada único, de uma solidariedade fantástica". Foi com Worm, "o melhor director técnico deste país", que Pais despertou "para a necessidade do equilíbrio entre o técnico e o artístico no veicular da mensagem".

Era ainda "um homem de música, um barítono de alta qualidade", acrescenta Pais. "Um grande músico", concorda Wellenkamp. "E um homem de grande cultura."

Nascido em Odivelas a 21 de Setembro de 1938, Worm estreou-se em palco não como iluminador, mas como figurante na Aida, de Verdi, no Coliseu de Lisboa, escrevia o Diário de Notícias num perfil publicado em Abril. Tinha 16 anos. Pouco depois tornava-se técnico de cena do Coliseu, electricista e técnico de cena no Grupo Experimental de Bailado da Fundação Gulbenkian, que viria a tornar-se no Ballet Gulbenkian.

Passou muitos anos na Fundação Gulbenkian e integrou o Coro Gulbenkian. Esteve três anos no Teatro Nacional São Carlos, entre 1989 e 1992, outros três anos no Centro Cultural de Belém. Trabalhou ainda com o Teatro Nacional São João, no Porto, e esteve ligado a companhias independentes como o Teatro da Cornucópia, Escola da Noite ou Teatro Experimental do Porto.

• Alexandra Prado Coelho | Publico | 2010-08-06


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